domingo, 6 de maio de 2018

Transgénicos - a coexistência impossível

Para além de os efeitos diretamente na saúde humana dos alimentos transgénicos serem incógnitas, porque não há estudos suficientes ou fidedignos; para além dos efeitos obviamente nocivos para a saúde provocados pelos herbicidas associados aos transgénicos; para além dos efeitos devastadores que o cultivo de transgénicos têm nos ecossistemas e na biodiversidade; para além dos efeitos nefastos na economia, alimentadores do capitalismo selvagem, já que uma empresa é detentora de 90% do mercado das sementes e outras quatro dos restantes 10%; para além disto tudo, as variedades de alimentos tradicionais estão ameaçadas de contaminação pelos transgénicos e, assim, de extinção. 

A história das variedades de espécies alimentares acompanha a história da humanidade, pois foram gradualmente desenvolvidas e adaptadas aos climas e lugares ao longo de muitos milhares de anos. Uma história que, se não nos informarmos e se não nos opusermos, estará prestes a chegar ao fim. Porque variedades tradicionais não podem coexistir com OGM ou transgénicas, já que estas contaminam tudo à sua volta. 

Vejam o documentário catalão de 2007 TranXgenia - A História da Lagarta e do Milho. E já agora, se concorda, apoie a Plataforma Transgénicos Fora e ajude a luta pela alimentação e ambiente saudável, a luta por cada vez mais e maiores zonas livres de OGM.



(Esta mensagem foi originalmente publicada neste blogue em 09/01/2012, e foi republicada 6 anos depois, a 06/05/2018)

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Óleo de palma: a destruição da floresta

O óleo de palma é o óleo vegetal mais produzido no mundo. Barato, vai parar aos alimentos nas margarinas, chocolates e na grande maioria dos alimentos processados. Vai também ser queimado como biocombustível.

Pelo caminho desta indústria, fica a destruição de florestas tropicais, a extinção dos orangotangos e outras espécies, a miséria dos habitantes locais, direitos humanos violados, a poluição, o agravamento das alterações climáticas....

Portanto, o preço real deste produto afinal não é nada barato, fica mesmo demasiado caro!

O que fazer para evitar esta situação? Várias coisas, mas para começar,  ler os rótulos e não comprar os produtos que contém óleo de palma. Tentei encontrar margarina sem óleo de palma... não encontrei. Assim, deixei de usar margarina, o azeite é nosso e bem mais saudável!

No texto abaixo encontra mais dicas, eu estou a cumprir a 7ª ao publicar esta mensagem. 

Para começar a cumprir a 4ª dica,  assine esta petição contra a construção de uma refinaria de biodiesel partir de óleo de Palma em Marselha. 

E esta e esta e mais esta

É preciso parar esta destruição!

A  seguir a transcrição de um artigo sobre óleo de palma do site Salve a Selva (em português brasileiro):

«Óleo de palma 
Desmatamento para produtos de consumo diário

Dendezeiro (Elaeis guineensis),  conhecido como
palma-de-guiné, palma, dendém ou coqueiro-de-dendê, .
O seu óleo é conhecido como  azeite de dendê ou óleo de palma.
Fonte: daqui



A situação – florestas tropicais nos tanques e nos pratos

Com 66 milhões de toneladas por ano, o óleo de palma é o óleo vegetal mais produzido no mundo. 

O baixo preço no mercado mundial e as boas caraterísticas de transformação levam para que um em cada dois produtos no supermercado contenha óleo de palma

Além de refeições prontas, bolachas e margarina, o óleo de palma também se encontra em cremes hidratantes, sabões, maquilhagem, velas e detergentes.

O que poucas pessoas sabem: na União Europeia quase a metade do óleo de palma importado é usado para o assim chamado biodiesel

A mistura de biocombustível obrigatória desde 2009 é uma causa importante para o desmatamento das florestas tropicais, sobretudo na Indonésia e a Malásia.

Atualmente, as plantações de dendezeiros já cobrem mais que 27 milhões de hectares em todo o mundo. Numa área do tamanho de toda a Nova Zelândia,   as pessoas e os animais já tiveram que dar lugar aos “desertos verdes”.

As consequências – morte causada por barra de chocolate


Nas regiões tropicais ao redor do equador, o dendezeiro (elaeis guineensis) encontra condições ideais para o seu cultivo. 

No Sudeste Asiático, na América Latina e na África, vastas áreas de floresta tropical são desmatadas e queimadas todos os dias afim de gerar espaço para as plantações. Desta forma, quantidades enormes de gases com efeito de estufa são emitidas na atmosfera. 

Em partes do ano de 2015, a Indonésia – a maior produtora de óleo de palma – emitiu mais gases climáticos do que os EUA. Emissões de CO2 e metano levam a que o biodiesel produzido a partir de óleo de palma seja três vezes mais nocivo para o clima do que o combustível fóssil.

Mas nem só o clima global está sofrendo: juntamente com as árvores, também desaparecem raras espécies animais como o orangotango, o elefante-pigmeu-de-bornéu e o tigre-de-sumatra. 

Muitas vezes, pequenos agricultores e indígenas que habitam e protegem a floresta são deslocados da terra deles de forma violenta. 

Na Indonésia, mais que 700 conflitos de terra estão relacionados com a indústria de óleo de palma. Até nas plantações declaradas como “sustentáveis” ou “ecológicas”, sempre de novo violam-se direitos humanos.

Nós como consumidores não sabemos muito disto. Porém, o nosso consumo diário de óleo de palma também tem efeitos negativos para a nossa saúde: o óleo de palma refinado contém grandes quantidades de ésteres de ácidos graxos, que podem interferir no patrimônio hereditário e causar câncer.

A solução – revolução dos tanques e dos pratos

Hoje em dia, somente 70 mil orangotangos vivem nas florestas do Sudeste Asiático. A política do biodiesel na UE leva os antropóides à beira da extinção: cada nova plantação de dendezeiros destrói um pedaço do espaço vital deles. Para ajudar os nossos parentes, temos que aumentar a pressão sobre a política. Mas no seu dia a dia existem várias opções para agir!


Estas dicas simples ajudam a encontrar, evitar e combater o óleo de palma:

1 - Cozinhe e decida: ingredientes frescos, misturados com um pouco de criatividade, fazem empalidecer qualquer refeição pronta (que contenha óleo de palma). Para substituir o óleo de palma industrial, podem-se utilizar óleos europeus como óleo de girassol, colza ou azeite ou, no Brasil, óleo de côco, de milho (não modificado geneticamente!) ou – se você conhece a origem – óleo de dendê artesanal.

2 - Ler as letras pequenas: na União Europeia, as embalagens de alimentos têm que indicar desde Dezembro de 2014 se o produto contém óleo de palma.1 Em produtos cosméticos e detergentes esconde-se um grande número de termos químicos.2 Com um pouco de pesquisa na Internet, podem-se encontrar alternativas sem óleo de palma.

3 - O consumidor é rei: Quais produtos sem óleo de palma são oferecidos? Por que não se utilizam óleos domésticos? Perguntas ao pessoal de vendas e cartas ao produtores exercem pressão sobre as empresas. Esta pressão e a sensibilização crescente da opinião pública já fizeram com que alguns produtores renunciassem o uso de óleo de palma nos próprios produtos.

4 - Petições e perguntas a políticos: protestos on-line exercem pressão sobre os políticos responsáveis por importações de óleo de palma. Você já assinou as petições da Salve a Selva?

5 - Levante a sua voz: manifestações e ações criativas na rua tornam o protesto visível para a população e a mídia. Assim, a pressão sobre decisores políticos ainda cresce.

6 - Transporte público em vez de carro: se possível, ande a pé, de bicicleta ou use o transporte público.

7 - Passe os seus conhecimentos: a indústria e a política querem fazer-nos crer que o biodiesel seja compatível com o ambiente e que plantações de dendezeiros industriais possam ser sustentáveis. Salveaselva.org informa sobre as consequências do cultivo de dendezeiros.»

Fonte (texto transcrito e imagens, exceto desenho da planta):   https://www.salveaselva.org/temas/oleo-de-palma

Saiba mais em:   Perguntas e Respostas sobre o Óleo de Palma 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Parentalidade Consciente com Mikaela Övén, Famalicão, 26/04

"Praticar parentalidade consciente é mais sobre o desaprender do que aprender."

"Quando procuramos seguir o caminho da parentalidade consciente estamos a questionar as nossas crenças, as nossas ideias, os nossos hábitos, os nossos comportamentos. 

É um descascar de tudo aquilo que não serve a nossa intenção como pais, um desaprender de tudo que não promove relações saudáveis baseadas no amor incondicional e tudo aquilo que não ajuda os nossos filhos a prosperar emocionalmente."

O auditório da Escola Superior de Saúde do Vale do Ave da CESPU, acolhe no dia 26 de abril, as Jornadas Municipais de Educação, organizadas no âmbito da Quinzena da Educação.

Parentalidade Consciente” é o tema eleito para este debate de ideias, aberto a toda a comunidade educativa e que decorrerá a partir das 21h00, com Mikaela Övén.

Mia Övén inspira há vários anos indivíduos e famílias na busca de harmonia e equilíbrio, através dos seus livros, textos, rubricas na rádio e televisão, cursos e palestras. 

Participação livre e gratuita, sujeita à lotação do auditório.  Recomenda-se a inscrição através do link: 

Esta conferência é promovida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão em parceria com a Associação Famalicão em Transição - Grupo Educação em Transição, a Federação Concelhia de Associações de Pais e o Centro de Formação de Professores.

Para mais informações e gestão de inscrições, por favor contacte o Departamento de Educação da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (educacao@vilanovadefamalicao.org | 252320956). 

sábado, 31 de março de 2018

Escolas na natureza

Para que os adultos do futuro possam respeitar e proteger a natureza, é preciso que as crianças de hoje aprendam a conhecê-la. E é na própria interação com a natureza que as crianças melhor a entenderão e respeitarão.

Imagem obtida aqui
As Escolas da Floresta já existem há várias décadas em países da Escandinávia, mas a sua inspiração já vem pelo menos do século 19.  Nestas escolas, a "sala de aula" é o espaço exterior, a floresta. As crianças têm direito a chapinhar na lama, a apanhar chuva, a trepar às árvores, a dar aso à sua criatividade e espírito de aventura. E aprendem, mas aprendem a sério, para a vida.

Em Portugal, felizmente já estão a aparecer algumas Escolas da Floresta. Aliás, desde 2017, existe a Associação Escola da Floresta - Forest School Portugal destinada a "promover e sensibilizar o conceito Escola da Floresta / Forest School em Portugal através de encontros, formações, redes sociais, etc".

Imagem obtida aqui
Em Vila Nova de Famalicão, numa das sessões sobre Educação promovida por Famalicão em Transição, foram apresentados dois casos recentes de Escolas da Floresta: o projeto "O Mundo da Floresta", em Braga, da Associação O Mundo Somos Nós, e uma experiência de Cédric Pedrosa, se não me engano, numa escola do Porto.  

Entretanto, foi divulgado na SIC (ver vídeo abaixo), um caso em Coimbra, o projeto Limites Invisíveis , resultante de uma parceria entre a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC/ESEC), o Departamento de Educação da Universidade de Aveiro (UA/DE) e o Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola (CASPAE).  

Imagem obtida em ESEC
«Limites invisíveis: Educação em ambiente outdoor” é um projeto que pretende implementar Programas de Educação Outdoor – em ambiente natural, tratando-se assim de um complemento à oferta educativa formal para crianças entre os 3 e os 10 anos.

Os programas inerentes ao projeto decorrerem numa área integrada na natureza (Mata Nacional do Choupal), tendo, para tal, sido elaborada uma parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P.
...
Imagem obtida em ESEC
Em termos gerais, o objectivo primordial do projeto é a promoção de experiências educativas com crianças entre os 3 e os 10 anos, em espaço exteriores, de contacto com a natureza, de forma a desenvolver disposições/competências de aprendizagem e respectivo sucesso académico, adoção de estilos de vida saudáveis e ambientalmente sustentáveis.  ...»

Recomendo a leitura do texto Carta aberta de uma criança...aborrecida! escrito há 3 anos por Fábio Gonçalves, educador de Infância,  no blogue Apontamentos sobre Educação de Infância  (obrigada pela dica, Diana do Taquid

Com bastante mais tempo passado no exterior e na natureza, as crianças ficam mais felizes, mais resistentes e certamente aprenderão melhor a conhecer e valorizar o ambiente que as rodeia!

domingo, 25 de março de 2018

Fraldas reutilizáveis - porque não?


As fraldas descartáveis são hoje um dos grandes grupos de resíduos urbanos que não são nem reutilizáveis nem recicláveis. Em Portugal, representam 5% do lixo urbano (dados de 2010). São, por isso, um problema ambiental, cujo único R dos 3R aplicável é o R de reduzir!

«No que se refere às fraldas descartáveis usadas, estes resíduos de origem predominantemente urbana e produzidos hoje em dia em larga escala, assumem, face às suas características de utilização, um fator significativo que determina que seja refletida a decisão quanto ao seu destino final. Efetivamente, o atual destino dado a estes resíduos é a sua eliminação, quer em aterro quer por valorização energética, pelo que um potencial encaminhamento para reciclagem implicaria o estabelecimento de regras e de fatores a considerar numa gestão específica.»


Há cerca de 30 anos, as fraldas descartáveis eram quase inexistentes em Portugal. O conforto de utilização que trouxeram - sobretudo evitando a lavagem - levou rapidamente ao quase desparecimento da tradicional fralda de pano.

Mas hoje já existem fraldas reutizáveis de grande conforto de utilização para o bebé e facilmente laváveis, que ficam mais económicas para os pais e para o ambiente. E bonitas!

Como exemplo, apresento um marca de fraldas fabricadas em Portugal. As palavras a seguir (e todas as imagens) são de Patrícia Sampaio, que me enviou um email a apresentar este produto, e que com muito gosto divulgo, pois trata-se de um produto muito menos prejudicial ao ambiente que as fraldas descartáveis. Além disso são fabricadas aqui do Minho, mais propriamente em Guimarães.

«KINGS of my CASTLE”  é  uma marca portuguesa de lãs, fraldas reutilizáveis a acessórios de bebé, regida por três ideias-chave: sustentabilidade, bem-estar e economia. 

 Um bebé usa cerca de 5000 fraldas descartáveis que poderão ser facilmente substituídas por 24 fraldas reutilizáveis. A produção de lixo é maciça e preocupante. 

A “Kings of my Castle” rege-se segundo três ideias chave:

1 – Sustentabilidade – Como as fraldas são reutilizáveis, a produção de lixo e o desperdício causado pelo uso de fraldas nos bebés diminui drasticamente comparativamente com as fraldas descartáveis. Os materiais que constituem as fraldas são biodegradáveis ao contrário da maioria das fraldas descartáveis.

2 - Bem-estar – Através do uso de fibras de origem vegetal como o algodão, o bambu e o cânhamo, a pele do bebé fica menos sujeita a assaduras e dermatites, pois estes materiais permitem que a pele do bebé respire.

3 – Economia – A poupança económica que uma família tem através do uso de fraldas reutilizáveis é contabilizável e enorme (o investimento em fraldas descartáveis para uma criança até aos 3 anos de idade oscila entre 1500€ e 3000€ e, em alternativa, em fraldas reutilizáveis oscila entre 500€ e 900€). »


Felizmente já existem muitas outras marcas de fraldas reutilizáveis. E há sempre a alternativa à moda antiga, das fraldas que eram apenas um quadrado de pano. Quem tem filhos pequenos, e se preocupa com o planeta que vai deixar para eles, pelo menos experimente - a espécie humana sobreviveu bem sem fraldas descartáveis até há 30 anos!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Fusão Bayer + Monsanto - uma triste realidade!

« Autorizada a fusão do diabo

Depois de piscar o olho à lógica e sociedade a Comissão Europeia fez o que sabe fazer melhor: cedeu aos interesses das grandes empresas e aprovou a fusão entre a Bayer e a Monsanto. 

Imagem obtida em Aventar
Ao afirmar que a relação de forças não vai ser afetada e que os europeus não têm nada a temer a Comissária Vestager responsável pela autorização parece ter perdido o sentido da realidade objetiva: não é só a Bayer e a Monsanto que se juntam, é também a Syngenta/ChemChina e a DuPont/Dow. 

As consolidações anteriores têm sempre levado a uma perda de poder dos agricultores, e nada evita que esta nova onda faça o mesmo. 

Imagem obtida em Labiotech
É como passar a ter 3 cabeças (que só pensam em dinheiro) a decidir o que é que toda a gente no mundo vai comer (resposta: OGM) e de que forma vai produzir a comida (resposta: com o máximo de pesticidas). 

Boa sorte a todos, que vamos precisar.»

Margarida Silva email ogm_pt de 22/3/2018

Continuamos com uma Comissão Europeia a dar mais vantagens às grandes empresas,  aos poderosos,  aos mais ricos, e a prejudicar o ambiente, aqueles que menos tem e os  querem viver do seu trabalho em paz,! 

Até quando vamos permitir isto?