quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Odisseia Moderna

Um vídeo forte, uma crítica mordaz à sociedade atual, que não precisa de palavras:

"IN-SHADOW: A Modern Odyssey".

Se tem coragem, veja e deixe cair a máscara!


IN-SHADOW: A Modern Odyssey from Lubomir Arsov on Vimeo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Apartheid no século XXI

Apela-se à leitura e divulgação da notícia da Amnistia Internacional (21 de novembro de 2017), na sequência  de uma investigação de dois anos e do relatório “Caged without a roof: Apartheid in Myanmar’s Rakhine state“ (Enjaulados sem teto: o apartheid no estado birmanês de Rakhine), da qual se transcreve a primeira parte:


O povo rohingya em Myanmar (Birmânia) está encurralado num sistema perverso de discriminação institucional e sancionada pelo Estado que constitui apartheid, considera a Amnistia Internacional ao publicar uma nova e abrangente análise às causas de raiz da atual crise no estado birmanês de Rakhine.

  • os rohingya são segregados e alvo de abusos em “prisões a céu aberto”
  • investigação feita ao longo de dois anos revela as causas da atual crise no estado de Rakhine
  • sistema de discriminação configura o crime contra a humanidade de apartheid


A investigação feita pela organização de direitos humanos ao longo de dois anos revela que as autoridades birmanesas restringem virtualmente todos os aspetos da vida dos rohingya no estado de Rakhine. A população rohingya está confinada ao que equivale a uma existência em ghetto, onde se debate para aceder a cuidados de saúde, a educação e, em algumas zonas, até se veem impedidos de deixar as suas aldeias. A situação atual preenche todas as caraterísticas da definição legal de apartheid, configurado como um crime contra a humanidade.

“As autoridades birmanesas estão a manter mulheres, homens e crianças rohingya segregados e intimidados num sistema desumanizante de apartheid. Os seus direitos são violados todos os dias e a repressão apenas se intensificou nos anos recentes”, frisa a diretora de Investigação da Amnistia Internacional, Anna Neistat. “Este sistema parece ter sido criado para tornar as vidas dos rohingya tão humilhantes e sem esperança quanto possível. A campanha brutal de limpeza étnica levada a cabo pelas forças de segurança nos últimos três meses é apenas mais uma manifestação extrema desta atitude chocante”, prossegue a perita da organização de direitos humanos. ... »

Fonte e continuação em Amnistia Internacional Portugal 

domingo, 19 de novembro de 2017

A maior crise ambiental

Crise Ambiental | Porque amanhã é sempre tarde demais

Estamos na maior crise ambiental da história desta civilização. Nunca como agora a humanidade enfrentou desafios tão grandes. A escassez de recursos, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e as desigualdades, colocam-nos num ponto em que grandes remédios já não chegam para grandes males. Vamos precisar também dos pequenos remédios, de todos eles.

A população aumenta, os recursos escasseiam

V. N. de Famalicão: Lemenhe – crepúsculo; set/2014
Hoje o nosso planeta sofre, agudamente, com o excesso de recursos que a espécie humana utiliza. Por um lado, o crescimento exponencial da população, que duplicou nos últimos 45 anos (de 3,7 mil milhões em 1970 para 7,6 mil milhões atualmente); por outro lado, o gigantesco consumo de recursos provocado por uma sociedade que usa e deita fora, que valoriza o ter em detrimento do ser e que dá primazia a uma economia sem ética, obsoleta, que depende do consumo e do crescimento; por último, um planeta que é finito. Tudo isto junto, e estamos numa crise sem precedentes na história da humanidade. Consomem-se mais 50% de recursos do que a Terra consegue regenerar, a pegada ecológica dos países ditos “desenvolvidos” é muitas vezes superior ao sustentável. Precisaríamos de muitos planetas Terra para continuar neste ritmo; mas há só um. Acrescentemos a isto ainda as alterações climáticas, e estamos num caldeirão explosivo.

As alterações climáticas já aí estão

O dióxido de carbono (CO2) é um gás que faz parte da composição da atmosfera. É essencial à vida, e a sua capacidade para provocar o efeito de estufa permitiu o desenvolvimento das sociedades humanas. Desde que a agricultura apareceu e as civilizações humanas se começaram a desenvolver, há cerca de 10 a 12 mil anos, e até à era pré-industrial (1750), a concentração de CO2 na atmosfera manteve-se abaixo das 200 ppm (partes por milhão); a partir daí, a queima do carvão e do petróleo e seus derivados, motivaram a revolução industrial e também o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Hoje ultrapassamos as 400 ppm e a atmosfera e o oceano estão mais quentes. Não faltaram avisos dos cientistas nas últimas três décadas sobre o efeito das emissões de CO2 no aquecimento global e nas alterações climáticas; mas a tal primazia da economia ensurdeceu políticos e populações. Hoje sentimos na pele e no nosso território as alterações climáticas: a seca, os incêndios devastadores; noutros lados, furacões mais intensos do que nunca e chuvas torrencialmente destruidoras.

A sexta extinção em massa

Penacova: Rio Mondego – teia de aranha; nov/2016
A sexta extinção em massa já começou, e foi a espécie humana, com os seus impactos territoriais e ambientais, que a causou. A desflorestação e a perda de biodiversidade são alarmantes. Os cientistas estimam que atualmente se extingam entre 11 mil e 58 mil espécies por ano. Só em animais vertebrados terrestres, extinguiram-se pelo menos 27600 espécies desde o início do século 20. Desde 1990, foram destruídos 129 milhões de hectares de floresta (o que corresponde a 14 vezes a área de Portugal), transformando-a em produção de monoculturas de alimentos para gado, produção de biocombustíveis, extração mineira (Amazónia), para a indústria alimentar (óleo de palma na Indonésia), ou mesmo para a extração de petróleo (areias betuminosas no Canadá). Para além dos impactos negativos na biodiversidade e nas populações locais, a desflorestação implica a redução drástica de absorção de CO2 e tem impactos diretos e indiretos no clima. O planeta sofre, mas o planeta vai sobreviver, com mais ou menos espécies; o mesmo não se pode dizer desta civilização e da espécie humana.


As desigualdades a aumentar

Na era da globalização, as disparidades no estilo de vida humana são também sintoma de uma sociedade global profundamente em crise. As comunidades não vivem desligadas do ambiente que as rodeia e são afetadas pelo ambiente global, como vemos no caso das alterações climáticas. Enquanto que uma pequena parte da população, ligada ao mundo corporativo, acumula cada vez mais riqueza, a maioria, sobretudo dos países do hemisfério sul, é despojada de suas terras e vive em condições de miséria. Parece inadmissível, mas 1% da população global detém a mesma riqueza que os 99% restantes; aliás, os oito (apenas 8) homens mais ricos do mundo têm tanta riqueza como metade da população mundial. A escassez de recursos das populações mais desfavorecidas espoleta, inevitavelmente, conflitos, e a situação agrava-se. Nunca houve tantos refugiados como nos últimos anos.


Enfrentar a crise


Mirandela: Rio Tua – pedrada na água; out/2014
Quando nos deparamos com a dimensão da crise ambiental (e social, pois estão e estarão sempre ligadas), a nossa primeira reação é negar, agir como se ela não existisse. É nesse estado de negação que se encontra ainda a grande maioria da população. Depois, quando paramos de negar e aceitamos os factos e as evidências, ficamos pessimistas, desanimados, revoltados ou mesmo desesperados. Acabaremos mais tarde por perceber que o pessimismo e o desespero não resolvem nada, que nos resta fazer a parte que nos cabe, esperando que possamos contagiar aqueles que nos rodeiam a fazer a parte deles.
Hoje é já muito tarde. Mas amanhã será ainda mais tarde. Talvez estejamos no ponto de não retorno. Ou talvez possa haver algo a fazer, talvez consigamos viver de forma mais sustentável e em harmonia com a natureza. Devemos a esperança às gerações futuras, aos nossos filhos (ou dos nossos amigos), netos e bisnetos; precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para lhes deixar um planeta onde possam viver e ser felizes. Não chega esperar que os políticos ou os poderosos façam alguma coisa. Sim, é necessário que eles se empenhem. Mas não chega, temos de lhes exigir, e temos de dar o exemplo. Todos e cada um!


Como disse Edmund Burk: 
Ninguém cometeu maior erro que aquele que não fez nada, só porque podia fazer muito pouco”.

Fontes dos dados numéricos: worldometers;  FAOBBCwikipediaobservadorpúblico

Texto publicado primeiramente no recente Jornal Digital  VILA NOVA, em 10/11/2017

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vegetariano à semana

Para aqueles que sabem os impactos negativos que a pecuária tem no ambiente, e que se preocupam com a saúde e o bem estar animal, mas não estão prontos para serem vegetarianos, uma solução poderia ser seguir o concelho de Graham Hill, o canadiano fundador do site Treehugger: ser vegetariano de segunda a sexta-feira.

Imagem obtida aqui
Sabemos que não é nada fácil mudar hábitos, sair da zona de conforto. Custa, dá trabalho! Mas se não fazemos nada por convicção, apenas porque é hábito, ou porque a sociedade também faz, a vida fica sem sentido!

Para quem come em casa, é mais fácil introduzir uma dieta vegetariana, vai-se aprendendo e a culinária até é mais fácil, embora use mais ingredientes e mais diversificados. Já quem tem de comer fora de casa, é mais complicado, pois a maior parte dos locais em Portugal não estão preparados, sobretudo fora das grandes cidades como Lisboa e Porto. Mas se mais pessoas começarem a perguntar pela opção vegetariana, mais depressa se adaptarão.

domingo, 12 de novembro de 2017

O perigo dos aerossóis e da geoengenharia



As nações, seus governos  e suas pessoas, já sabem há décadas que a atual economia está a alimentar o aquecimento global. Não conseguiram, porque não quiseram,  travar o aquecimento global enquanto era tempo, continuando a consumir combustíveis fósseis e a desflorestar, como se nada (ou quase nada) se passasse.

Entretanto, em vez de agarrar as soluções sustentáveis, como as energias renováveis ou a diminuição do consumo,as soluções de geoengenharia imaginadas por cientistas, que visam manipular o clima, começam a ser faladas mais "abertamente".

Imagem obtida em PET.EAA -UFV
Estas técnicas já são estudadas há vários anos, (ver este o artigo "Um guarda-sol para refrescar a Terra" de 2006) e até são financiadas por milionários, como Bill Gates (ver no The Guardian, 2012). No entanto, nunca foram testadas, porque não o podem ser, já que só há uma atmosfera, só há uma escala de ensaio - a realidade.

É o caso de lançar aerossóis na atmosfera, que não fazem ideia das potenciais consequências negativas que daí advém.  E há quem afirme que essas soluções já estão no ar!

O ser humano têm sérias dificuldades em duas coisas: perceber o princípio da precaução e mudar de comportamentos! E desta maneira coloca a sua espécie (e muitas outras) em risco de extinção.

Sobre este assunto, aconselho o extrato da conversa com Filipe Duarte Santos e Luísa Schmidt no vídeo no topo, e também o vídeo da NASA, mais abaixo, que explica o que são aerossóis. Pelo meio, um extrato de um artigo do jornal DW Brasil sobre o uso de aerossóis de sulfato na estratosfera para travar o aquecimento global.

«Sulfato na estratosfera

A gestão de radiação solar com o uso de aerossóis reflexivos na estratosfera não está incluída nos cenários de redução de emissões do IPCC, mas o painel da ONU a descreveu como um meio de, "compensar,em certa medida, o aumento da temperatura global e alguns de seus efeitos". Outras tecnologias de SRM, como colocar espelhos no espaço para desviar os raios solares, também estão sendo avaliadas, mas são consideradas caras e complicadas demais para serem executadas.

Já os aerossóis são vistos como baratos e viáveis. Ainda assim, eles provavelmente são a mais controversa das tecnologias de geoengenharia. Além de envolver uma intervenção direta no sistema planetário, com consequências amplamente desconhecidas, essa opção não lida com as causas do aquecimento global. Ela também gera questões complicadas, como: quem vai regular o termostato global? E como impedir conflitos entre as nações sobre os efeitos colaterais?

Imagem de DW
É quase certo que vaporizar sulfato ou outros tipos de aerossóis na estratosfera, a no mínimo 19 quilômetros de altura, com o objetivo de refletir a radiação solar, vai reduzir as temperaturas globais. Esse efeito foi observado depois da violenta erupção vulcânica no Monte Tambora, na Indonésia, em 1815, quando o tempo ruim e as baixas temperaturas levaram a uma queda disseminada nas colheitas e ao "ano sem verão".

Testar como os aerossóis se comportam na estratosfera e que outras consequências eles poderiam ter exige uma experiência de campo numa escala equivalente ao uso previsto. Como isso não é possível, os pesquisadores terão de confiar em modelos matemáticos computadorizados que replicam de forma imperfeita o mundo real.

Alguns mostram que a redução da radiação solar levaria a uma diminuição nas chuvas e na disponibilidade de água nos trópicos, enquanto outros apontam para uma recuperação lenta da camada de ozônio sobre a Antártida.

"O grau de incerteza é muito elevado", comenta a pesquisadora Ulrike Niemeier, do Instituto Max Planck de Meteorologia, de Berlim. E isso não vale só para a ciência. Se, por exemplo, o clima estiver sujeito à manipulação, e um determinado país passar por um período de seca por causa disso, esse país poderia adotar ações legais. Ou até algo pior.»

Fonte: "Os riscos da manipulação do clima pela geoengenharia", Jennifer Collins,  18.10.2017, DW Brasil

sábado, 11 de novembro de 2017

Adiada decisão sobre glifosato na Europa

«A Comissão Europeia adiou para o final do mês a decisão sobre a renovação da licença para a utilização de glifosato por mais 5 anos.
...
Os Estados Membros não chegaram a acordo sobre a renovação de licença do herbicida que a Organização Mundial de Saúde diz ter riscos cancerígenos.  Portugal absteve-se na votação que teve 14 votos a favor, nove votos contra e cinco abstenções.»
Fonte: RTP

Neste caso, adiar a decisão é melhor do que permitir, mas é triste que Portugal, com um índice de contaminação por glifosato absurdo, não tenha assumido uma posição contra este herbicida cancerígeno, mais conhecido por Roundup.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Portugal vota esta semana o destino do herbicida glifosato

Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora:

«PORTUGAL VOTA ESTA SEMANA O DESTINO DO HERBICIDA GLIFOSATO
2017/11/07 _ Com o maior nível de contaminação de toda a União Europeia

É esta quinta, 9 de novembro, a votação em Bruxelas onde deverá ficar decidido o futuro do glifosato – o herbicida mais usado em Portugal. A Comissão Europeia pretende a renovação da licença, que expira já a 15 de dezembro, mas não tem conseguido apoio suficiente por parte dos Estados Membros. O Ministério da Agricultura português (que se absteve na reunião anterior) é chamado a defender os interesses do país e juntar-se aos que exigem o fim do glifosato – a única opção defensável, considerando as evidências já acumuladas a nível nacional e não só.

Contaminação generalizada em Portugal
De acordo com os dados disponíveis Portugal é o território europeu mais poluído por glifosato. Um estudo científico[2] publicado há menos de um mês avaliou os resíduos de glifosato (que persiste no solo, ao contrário do que a publicidade afirma) em terrenos agrícolas de 11 Estados Membros representativos e verificou que 53% das amostras de solo portuguesas continham este herbicida – colocando o nosso país no topo destacado da tabela (a França, o 2º país mais contaminado, ficou-se por 30% de amostras positivas). Além disso Portugal tem também a maior quantidade de glifosato no solo: 11.4 vezes mais do que a pior amostra da Itália, por exemplo.

Estes dados estão alinhados com os valores conhecidos de contaminação humana. Em 2016 o levantamento realizado pela Plataforma Transgénicos Fora[3] evidenciou níveis inesperadamente elevados deste herbicida na urina de todos os voluntários testados. Os portugueses apresentaram, em média, vinte vezes mais glifosato do que os seus homólogos alemães. Comparando com o valor mais elevado obtido em 182 análises de diversos países europeus, a pior amostra portuguesa está 18 vezes mais contaminada – e, se estivesse em água de consumo, contaminaria essa água 320 vezes acima do limite legal.

Enquanto o Ministério da Agricultura não souber explicar como é que Portugal ficou tão contaminado por glifosato, e não implementar medidas que reduzam drasticamente este problema, é impensável permitir que a utilização generalizada na agricultura, nas ruas e até para fins domésticos possa continuar. Não aceitamos que se subestime a toxicidade do glifosato pois, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o glifosato causa cancro nos animais de laboratório em que foi testado.[4]

Processo europeu com omissões graves
Curiosamente há quem desvalorize a avaliação da OMS. A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) e a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) concluíram, de uma forma muito criativa, que o glifosato é inócuo. A legislação comunitária estipula que uma substância seja classificada como cancerígena desde que dois estudos independentes com animais demonstrem aumento de tumores. No caso do glifosato pelo menos 7 em 12 estudos de longo prazo apresentam esse acréscimo tumoral, mas a EFSA e a ECHA optaram por desqualificar esses estudos independentes e limitaram as suas conclusões aos trabalhos pagos pela indústria.[5] Estas omissões e as diversas justificações apresentadas violam diretamente as regras em vigor, mas isso talvez não seja de espantar uma vez que o principal relatório oficial copiou na íntegra páginas e páginas do documento inicial apresentado pela multinacional Monsanto.[6]

A bióloga Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, lembra: "O glifosato é tão incontornável como antigamente o DDT, que era usado por tudo e por nada. Aprendemos a viver sem o DDT (exceto em casos muito pontuais) quando se percebeu quais os seus efeitos na saúde, e podemos fazer o mesmo com o glifosato. A indústria quer convencer-nos que a agricultura sem glifosato está condenada, mas a verdade é que com glifosato o que está condenado é a nossa saúde."

Note-se que o glifosato não serve sequer para a conservação do solo, como propõem os defensores da "mobilização mínima" e "não mobilização". É já sabido que o glifosato é tóxico para múltiplos organismos do solo, contribuindo assim para a redução da sua fertilidade.[7] Infelizmente práticas destas, que envolvem vastas aplicações de glifosato (incluindo na chamada "produção integrada"), são em Portugal consideradas medidas agroambientais e recebem os respetivos subsídios nacionais e comunitários.

Os dias do fim
Já há países e até empresas[8] a fazer a transição para a época pós-glifosato. As alternativas não faltam.[9] O governo francês, por exemplo, já anunciou uma linha de financiamento de 5 mil milhões de euros em cinco anos para apoiar o período de mudança.[10] Claro que a indústria dos agroquímicos luta vigorosamente contra essa evolução: na União Europeia a venda de glifosato rende mil milhões de euros anualmente.[11]

A coordenadora da campanha Autarquias Sem Glifosato/Herbicidas, Dra. Alexandra Azevedo, conclui: "Ao contrário do propagandeado o glifosato é perigoso e o alerta público para os seus riscos está a aumentar no nosso país. A sondagem do passado mês de outubro[12] mostra que 77% dos portugueses pretendem a proibição imediata deste herbicida e apenas 8% preferem manter o seu uso. A nível comunitário mais de um milhão de pessoas aderiu a uma Iniciativa de Cidadania Europeia para acabar com o glifosato.[13] Seja qual for a decisão europeia, o nosso governo não tem legitimidade política para manter o glifosato em circulação."

______________________________________________

Nota
A Comissão começou por propor uma renovação por 15 anos[14] mas nem reduzindo para 10, 7, 5 e 3 anos foi possível atingir a maioria qualificada necessária[15], de acordo com relatos da reunião de 25 de outubro. A reunião de 9 de novembro é no âmbito do SCOPAFF – Comité Permanente dos Vegetais, Animais e Alimentos para Consumo Humano e Animal (Secção de fitofármacos): http://tinyurl.com/yaz2aaf6

Referências
(1) http://tinyurl.com/yd6w3kys
(2) http://tinyurl.com/ybdselpv
(3) http://tinyurl.com/y9ol2ykq
(4) http://tinyurl.com/y8r32up8
(5) http://tinyurl.com/ybhlycoh
(6) http://tinyurl.com/y8mvug9j
(7) http://tinyurl.com/y8228h3v
(8) http://tinyurl.com/ycd3uj4e
(9) http://tinyurl.com/y72848fr
(10) http://tinyurl.com/ya76pzod
(11) http://tinyurl.com/yablz4pe
(12) http://tinyurl.com/ya75x6wb
(13) http://tinyurl.com/yb2paggn
(14) http://tinyurl.com/ybzdmz8d
(15) http://tinyurl.com/y8rs9grk»

Comunicado aqui.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Este não é o filme que Portugal merece


This is Portugal from Shortfuse on Vimeo.

«Este não é o filme que queríamos ter feito. 
Este não é o filme que Portugal merece.

Maior área ardida de sempre.
Mês mais seco em 87 anos.
Mais de 500 fogos activos num dia.
Mais de 100 mortos.

Não podemos esquecer.
#PortugalPrecisaDeTi»

Fonte: Shortfuse


Veja como ajudar a comunidade vítima dos incêndios neste site da TVI (ajuda para Seia, Vouzela, Tábua, Arganil, Mangualde, Santa Comba Dão e Viseu) ou aqui (Leiria), e também no Jornal de Negócios. Somos um povo solidário, não esqueçamos!

Para ajudar a Quinta de Cabeço do Mato (permacultura), que ardeu completamente, contribua aqui

Para ajudar a Quinta dos Melros (eco-construção), que ardeu completamente, contribua aqui

(menciono estes dois casos porque os conheço pessoalmente: já estive na  outrora belíssima Quinta do Cabeço do Mato e o Chris Ripley da Quinta dos Melros já veio a Famalicão fazer um interessante workshop sobre a bomba carneiro). 

Para entender melhor os incêndios de Portugal em 2017, ver o Relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande e a reportagem da TVI "O Cartel do Fogo".