terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Herbicida glifosato aumenta com os transgénicos (OGM)

 «O glifosato é o ingrediente chave da marca de herbicida Roundup. O uso deste herbicida aumentou cerca de 15 vezes desde 1994, quando as culturas geneticamente modificadas tolerantes ao glifosato "Roundup Ready" foram introduzidas. Historicamente, é usado em soja e milho geneticamente modificados, mas também é pulverizado numa parte substancial de trigo e aveia cultivada nos EUA.

A nossa exposição a estes químicos aumentou significativamente ao longo dos anos, mas a maioria das pessoas não sabe que os está a ingerir através da sua alimentação

Paul J. Mills, PhD, Professor de Medicina Familiar e Saúde Pública e Diretor do Centro de Excelência em Pesquisa e Treino em Saúde Integrativa na Faculdade de Medicina de San Diego, Califórnia, citado no artigo "Exposição ao glifosato, químico existente em herbicidas, aumentou ao longo de 23 anos", UC San Diego Health, 24/10/2017. 

(Imagem de cima e da direita obtidas em Herbicide Awareness and Research Project)

«Este estudo na Califórnia é muito interessante porque começou antes das culturas transgénicas terem entrado no mercado e permite ver o que mudou desde então, neste espaço de cerca de 20 anos. Note-se que a maior parte dos transgénicos leva grandes quantidades de glifosato em cima (ao contrário das plantas convencionais, que morreriam em contacto com o herbicida). 

E os números não mentem:
  • o número de pessoas com glifosato na urina subiu 5 vezes
  • a concentração média de glifosato na urina subiu 13 vezes
  • tudo isto enquanto o uso de glifosato subiu 15 vezes

Falta acrescentar que, em Portugal, o mesmo tipo de análises ao glifosato na urina deu valores OITENTA E TRÊS vezes acima do medido no estudo.   
Fun fact: a Califórnia já classificou o glifosato como carcinogénio provável; Portugal continua a permitir a sua venda irrestrita em supermercados

Margarida Silva, Plataforma Transgénicos Fora, via  ogm_pt@googlegroups.com, 12/2/2018


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Em Transição 2.0

"A Transição é uma experiência social em grande escala. Não sabemos se resultará. Mas estamos convencidos de que, se esperarmos pelos nossos governantes, virá pouca coisa e... demasiado tarde. Se agirmos como indivíduos, será muito pouco. Mas se agirmos em comunidades, poderá muito bem ser suficiente, e mesmo a tempo." (do filme)


«In Transition 2.0" é o novo filme da Rede de Transição, que reúne histórias inspiradoras de Iniciativas de Transição em todo o mundo. Histórias que respondem a tempos incertos com criatividade. Comunidades que imprimem seu próprio dinheiro, que cultivam os seus alimentos, localizando as suas economias e criando centrais de energia comunitárias. É uma ideia que se tornou viral, uma experiência social que trata de responder a tempos incertos com soluções e otimismo.» (adaptado daqui)

De 2012, três anos depois de "In Transition 1.0" (2009). Veja, inspire-se, e seja positivo!



«"In Transition 2.0" é a mais recente longa-metragem sobre o Movimento de Transição. É uma história surpreendente sobre como os grupos de transição espalhados pelo mundo estão a responder aos desafios de escassez de recursos energéticos, à instabilidade financeira e às mudanças ambientais.

O filme tem legendas em várias línguas - basta clicar no botão 'Captions' no player de vídeo que encontra uma grande variedade de idiomas disponíveis.

Para quaisquer questões relacionadas com sessões públicas ou com o filme, por favor, entre em contacto com film@transitionnetwork.org» (Fonte: http://www.transitionnetwork.org/transition-2)

Nota: publicado inicialmente aqui em 09/02/2014, republicado em 05/02/2018.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Campos eletromagnéticos: "Generation Zapped"

Pensar que o uso de telemóveis e a exposição a redes wifi não têm implicações na saúde é um risco grande... especialmente se estamos a falar de crianças ou exposições prolongadas e frequentes! 

«Os campos eletromagnéticos estão presentes naturalmente no Universo. Há alguns anos, os valores referentes a campos eletromagnéticos eram relativamente constantes. Com o desenvolvimento da tecnologia, a exposição a novas fontes de radiação eletromagnética aumentou. » (daqui)

Existem vários estudos sobre os campos electromagnéticos (EMF = electromagnetic fields) a que estamos expostos e o seu efeito na saúde, mas esta matéria não está devidamente legislada e divulgada, nem os interesses da população acautelados; provavelmente  devido ao enorme peso dos lobies das corporações que lucram com esta tecnologia - o lucro vai falando mais alto sempre que pode!

Espectro eletromagnético. Imagem de LabCisco obtida aqui 
Os campos electromágneticos de radio frequência, nos quais se inclui a radiação dos telemóveis, foram classificados como "possivelmente carcinogénicos para os humanos" pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Cancro, IARC, ligada à OMS (estudo aqui).

No início deste mês (4/jan/2018), o governo de Portugal aprovou legislação que estabelece os níveis de referência relativos à exposição humana a campos elecromagnéticos, mas o mesmo ainda não veio a público.  E ao que parece, apenas se debruça sobre campos eletromagnéticos derivados de linhas, instalações e equipamentos de alta e muito alta tensão. E os telemóveis, wifi, e outras fontes desta radiação?

Um "Apelo internacional - Cientistas pedem proteção contra exposição a campos eletromagnéticos não ionizantes" lançado em 2015, em novembro de 2017 estava já subscrito por 237 cientistas de 41 países. (leia aqui).

Depois do filme "MOBILIZE", sobre as radiações dos telemóveis, surge um novo documentário sobre este tema dos EMF, "GENERATION ZAPPED". Fica aqui o trailer e a sinopse:


«GENERATION ZAPPED investiga os potenciais perigos da exposição prolongada às radiofrequências (RF) da tecnologia sem fio; Os seus efeitos sobre nossa saúde e bem-estar, assim como na saúde e desenvolvimento de nossos filhos. Desde as suas ligações ao cancro da mama e do cérebro, às suas associações com aumento da infertilidade e mutações genéticas relacionadas com autismo e síndroma de déficit de atenção, até a novas doenças como a hipersensibilidade elétrica (EHS).

Hoje, com as tecnologias sem fios, estamos expostos a níveis de radiação centenas de milhares de vezes superiores ao que tínhamos há décadas. No entanto, os padrões de segurança estabelecidos pelas agências reguladoras estão desatualizados. Novos dispositivos sem fio, como smartphones, tablets e monitores de bebé e a mais recente "Internet das coisas", continuam a entrar no mercado sem qualquer teste apropriado de pré-venda ou monitorização pós-venda. Muito pouco é feito para garantir segurança pública e consciencialização.

Então, como podemos descobrir os factos e reduzir a nossa exposição para limitar os riscos de saúde associados a esta revolução tecnológica? GENERATION ZAPPED tenta fazer exatamente isso

Fonte: https://generationzapped.com/about/ (tradução livre)

Veja mais em Poluição Electromagnética, acompanhe MOPPE e assine a petição RISCOS ELECTROMAGNÉTICOS

sábado, 27 de janeiro de 2018

Apelo de cientistas à proteção contra exposição a campos electromagnéticos

Apelo internacional de  237 cientistas de 41 países pedindo à ONU e à OMS medidas para proteção contra exposição a campos electromagnéticos não ionizantes. 

 «Para:
Sua Excelência António Guterres, Secretário Geral das Nações Unidas;
Honorável Dr. Tedros Adhanom, Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde;
Honorável Erik Solheim, Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNRP)
Membros das Nações Unidas

Apelo internacional

Somos cientistas envolvidos no estudo dos efeitos biológicos e da saúde de campos eletromagnéticos não ionizantes (EMF). Com base em pesquisas publicadas, revisadas por pares, temos sérias preocupações quanto à exposição omnipresente e crescente das EMF geradas por dispositivos elétricos e sem fio. 
Estes incluem, mas não estão limitados a, dispositivos emissores de radiação de radiofrequência (RFR), como telemóveis e telefones sem fio e suas estações de base, Wi-Fi, antenas de transmissão, medidores inteligentes e monitores de bebé, bem como dispositivos elétricos e infra-estruturas usadas na distribuição de eletricidade, que geram campos eletromagnéticos de extrema-baixa frequência (ELF EMF).

Base científica para nossas preocupações comuns

Numerosas publicações científicas recentes mostraram que as EMF afetam os organismos vivos em níveis bem abaixo da maioria das diretrizes internacionais e nacionais. Os efeitos incluem aumento do risco de cancro, stress celular, aumento de radicais livres prejudiciais, danos genéticos, mudanças estruturais e funcionais do sistema reprodutivo, déficits de aprendizagem e memória, distúrbios neurológicos e impactos negativos no bem-estar geral em humanos. Os danos vão muito além da raça humana, pois há evidências crescentes de efeitos nocivos para a vida vegetal e animal.

Essas descobertas justificam o nosso apelo às Nações Unidas (ONU) e, a todos os Estados membros do mundo, a encorajar a Organização Mundial de Saúde (OMS) a exercer uma liderança forte no fomento do desenvolvimento de diretrizes mais protetoras das EMF, encorajando medidas de predcaução e educando o público sobre os riscos para a saúde, particularmente o risco para crianças e o desenvolvimento fetal. Ao não agir, a OMS não está a cumprir o seu papel como a preeminente agência internacional de saúde pública.

Diretrizes internas inadequadas sobre as EMF não ionizantes

As várias agências que estabelecem padrões de segurança não conseguiram impor diretrizes suficientes para proteger o público em geral, particularmente as crianças que são mais vulneráveis aos efeitos das EMF. A Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não-Ionizante (ICNIRP) estabeleceu em 1998 as "Diretrizes para limitar a exposição a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos variáveis no tempo (até 300 GHz)" (1). Essas diretrizes foram aceites pela OMS e por vários países. A OMS está a pedir que todas as nações adotem as diretrizes da ICNIRP para incentivar a harmonização internacional de padrões. Em 2009, o ICNIRP divulgou uma declaração dizendo que reafirmava suas diretrizes de 1998, já que, em sua opinião, a literatura científica publicada desde então "não forneceu evidências de quaisquer efeitos adversos abaixo das restrições básicas e não requer uma revisão imediata de sua orientação sobre a limitação da exposição a campos eletromagnéticos de alta frequência” (2). A ICNIRP continua até hoje a fazer essas afirmações, apesar das evidências científicas crescentes em contrário. É nossa opinião que, dado que as diretrizes da ICNIRP não abrangem exposição a longo prazo e efeitos de baixa intensidade, são insuficientes para proteger a saúde pública.

A OMS adotou a classificação da Agência Internacional de Pesquisa do Cancro (IARC) para os campos eletromagnéticos de frequências extremamente (ELF EMF) em 2002 (3) e para a radiação de radiofrequência (RFR) em 2011 (4). Esta classificação afirma que as EMF são possivelmente cancerígenas para humanos (Grupo 2B). Apesar das duas descobertas da IARC, a OMS continua a sustentar que não existem provas suficientes para justificar a redução desses limites quantitativos de exposição.

Uma vez que existe controvérsia sobre uma lógica para a definição de padrões para evitar efeitos adversos para a saúde, recomendamos que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA /UNEP) convoque e financie uma comissão multidisciplinar independente para explorar os prós e contras de alternativas às práticas atuais que possam reduzir substancialmente os humanos a exposições a campos RF e ELF. As deliberações deste grupo devem ser conduzidas de forma transparente e imparcial. Embora seja essencial que a indústria esteja envolvida e coopere nesse processo, não se deve permitir que a indústria influencie métodos ou conclusões. Este grupo deve fornecer as suas análises à ONU e à OMS para orientar a ação preventiva.

Coletivamente, também solicitamos que:

1. As crianças e mulheres grávidas sejam protegidas;
2. O reforço das diretrizes e normas regulamentares;
3. Incentivo aos fabricantes para desenvolverem tecnologia mais segura;
4. As empresas responsáveis pela geração, transmissão, distribuição e monitorização da eletricidade mantenham uma qualidade de energia adequada e assegurem a adequada proteção dos fios elétricos de forma a minimizar a correntes nocivas no solo;
5. o público seja plenamente informado sobre os potenciais riscos para a saúde da energia eletromagnética e sobre estratégias de redução de danos;
6. Os profissionais da medicina sejam educados sobre os efeitos biológicos da energia eletromagnética e sejam treinados no tratamento de pacientes com sensibilidade eletromagnética;
7. Os governos financiem o treino e a pesquisa em campos eletromagnéticos e saúde, de forma independente da indústria, e convoquem a indústria a cooperar com pesquisadores;
8. Os meios de comunicação social divulguem as relações financeiras entre os especialistas e a indústria quando ao citam suas opiniões sobre aspetos de saúde e segurança das tecnologias emissoras de EMF; e
9. Devem ser estabelecidas zonas brancas (áreas livres de radiação).


Data de lançamento inicial: 11 de maio de 2015
Data desta versão: 9 de novembro de 2017

As consultas, incluindo as de cientistas qualificados que solicitam que seu nome seja adicionado ao Apelo, podem ser feitas contactando Elizabeth Kelley, M.A., Diretora, EMFscientist.org, em info@EMFscientist.org. 

Nota: os signatários deste recurso assinaram como indivíduos, dando suas afiliações profissionais, mas isso não significa necessariamente que isso represente os pontos de vista de seus empregadores ou as organizações profissionais com as quais eles estão afiliados.»

Fonte: https://www.emfscientist.org/index.php/emf-scientist-appeal (tradução livre). Versão traduzida para português do Brasil aqui.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Abordagens humanísticas na educação: Reggio Emilia e Forest School (Famalicão)

Ciclo de Conversas "Educação em Transição"



No próximo dia 2 de fevereiro às 21h realiza-se em Vila Nova de Famalicão (Casa de Esmeriz), mais uma conversa do Ciclo "Educação em Transição" dinamizado pela Associação Famalicão em Transição.


Para apresentar os modelos Reggio Emilia e Forest School, são convidados a equipa pedagógica do "Mundo da Floresta" - iniciativa educativa de inspiração Reggio Emilia e Forest School da Associação "O Mundo somos Nós" (Braga) e Cédric Pedrosa - Educador com formação Forest School (Porto).


Numa conversa destinada a mães, pais, professor@s, educador@s e tod@s @s que sentem a necessidade e a urgência de repensar a educação no sentido da humanização e da aproximação à natureza.


Inscrição pelo link https://goo.gl/pKPskQ com donativo consciente para custos de organização (1,5€ para sócios Famalicão em Transição e 2€ para não sócios)


Mais informações: Blogue Famalicão Melhor

domingo, 21 de janeiro de 2018

Bionergias, um tema escaldante!


No passado dia 19 de janeiro, a ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável  e a Associação Famalicão em Transição levaram a Famalicão o debate sobre BIOENERGIA (biomassa, biogás, biocombustíveis), numa sessão Ambientar-se  com o filme:


("THE BURNING ISSUE - When bioenergy goes bad", 2017)

Dinamizaram o debate, Nuno Forner, da ZERO, Jorge Moreira da SEA - Sociedade de Ética Ambiental, e Henrique Zamith de Famalicão em Transição.

Do  Livro Negro da Bionergia 
O documentário apresenta vários casos alarmantes de empresas de bionergia altamente insustentáveis e devastadoras (que não chegam ao público); os números da bionergia apresentados pela ZERO são assustadores, e muito esclarecedor foi o debate.

Em Itália, na Rússia, na Alemanha, na Polónia e em muitos outros países, designadamente europeus, estão a derrubar florestas para queimar em centrais de energia a biomassa. Algumas dessas florestas em áreas que eram protegidas!  E no caso da Polónia, estavam a destruir a última floresta virgem da Europa,  Białowieża

Para além disso, áreas enormes de terras que eram usadas no cultivo de alimentos, agora são destinadas a culturas para biogás, obrigando à importação de mais alimentos. E ainda mais pesticidas e fertizantes de síntese são usados, tornando o solo completamente estéril.

Afinal, estas energias "verdes" facilmente se tornam ainda mais insustentáveis que o petróleo! Muito há a melhorar na legislação e na atribuição de subsidios à bioenergia para impedir a subversão!

No final, a ZERO distribuiu pelos presentes o Livro Negro da Bionergia (descarregue aqui, e veja 8 casos alarmantes sobre as bioenergias) .

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Menos plástico, por favor!

Adaptável, bonito, barato... assim é o plástico que usamos no dia a dia em embalagens, utensílios de cozinha, brinquedos, máquinas, móveis, roupas, etc., etc., ... são milhentas as utilizações destes derivados do petróleo.

O problema... é o que lhe acontece depois. Algum, muito pouco mesmo, vai ser reciclado. Outra parte, vai ser incinerado ou vai encher aterros. Uma parte bem considerável vai ser atirado para qualquer lado e depois vai ser arrastado até aos rios e ao mar. Pelo caminho, são muitas as espécies de animais que vão ser afetadas ou mortas.

É impossível continuar a gastar plásticos desta maneira. O planeta, o mar, não aguentam. 

Vamos fazer um esforço? 

Muitos já levam o saco das compras de casa. Muitos já deixaram de comprar água engarrafada. Que tal agora abolir o uso de palhinhas, copos, pratos e talheres descartáveis? E depois, continuar a reduzir, claro, o caminho ainda é muito longo!

Já agora, veja o vídeo (são só 3 minutos e tem legendas em português) e assine a petição:


Abolir o Plástico descartável em Portugal



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pegada alimentar: Alimentação e ambiente

Crise Ambiental | Pegada alimentar: A alimentação e o ambiente

As nossas escolhas alimentares, para além de interferirem diretamente na nossa saúde, impactam profundamente no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, assim como na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista. Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde (ou a nossa doença), estamos a participar ativamente na construção de um futuro e de um ambiente melhores ou piores, para nós mesmos, e sobretudo, para as gerações vindouras.
Todos sabemos que o mundo enfrenta uma crise ambiental global sem precedentes na história da civilização humana. Provavelmente não sabemos como enfrentá-la, mas ignorá-la será a pior das opções. Tentar compreender o que a causou, refletir sobre o que podemos fazer para contrariar essa crise e agir de acordo com o pensamento informado, é o único caminho viável.
Comer é a necessidade mais básica dos seres humanos (e dos animais em geral), e as atividades que se geram em torno da alimentação produzem mais de 25% dos gases com efeito de estufa, contribuindo para acelerar as alterações climáticas.  Só a pecuária emite 18% dos gases com efeito de estufa, mais do que o setor dos transportes.
A alimentação é a base da nossa subsistência, e é um dos principais motores da economia. A agricultura, a pecuária, a industria alimentar, a indústria química que abastece a agricultura convencional e a indústria alimentar, as empresas farmacêuticas e da biotecnologia que inventam hormonas e transgénicos para acelerar crescimentos e lucros,  as empresas da energia e dos transportes que levam alimentos, matérias primas e produtos, de uns continentes para outros, e o comércio: cadeias de distribuição, revendedores, retalhistas e a restauração, as universidades, todos estes setores da atividade se movimentam em torno dos alimentos, exclusivamente ou inclusivamente.
A alimentação, é, pois, o assunto que mais influencia a crise ambiental, e em tantos níveis que seria preciso um livro para os abranger.  E é neste campo que muito podemos fazer se quisermos contribuir para minorar a crise ambiental atual.  
Se estivermos atentos aos alimentos que compramos, podemos dar um contributo muito significativo. E a que devemos estar atentos? Essencialmente a 3 coisas: 1 – de onde vem, 2 - como foi produzido, e 3 - que tipo de alimento é.
De onde vem?
Quando comemos um alimento que vem da América ou da Ásia, esse alimento teve de ser transportado. E o transporte implica consumo de combustível, o que implica elevadas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases com efeito de estufa. E na maior parte dos casos, desnecessariamente, pois não faltam alternativas de alimentos locais que nos permitem uma alimentação saudável e diversificada, com muito menos impacto no clima e no ambiente.
Por outro lado, quando optamos por alimentos locais e da época, estamos a ter impactos positivos na economia local e no ambiente. Se conseguirmos comprar diretamente do produtor (não é fácil, sabemos, mas em muitos casos é possível), ou em circuitos curtos de comercialização (um intermediário no máximo), estamos a diminuir drasticamente as emissões de CO2 devidas ao transporte. Além disso, os alimentos frescos que são transportados de longe perdem muitas das suas características nutritivas com o tempo de armazenamento e transporte.
Merece aqui destaque o movimento Slow Food, que apareceu nos anos 80 em Itália, mas que já se estendeu a pelo menos 160 países e envolve milhões de pessoas, que visa evitar o desaparecimento de culturas e tradições alimentares locais, promovendo o acesso de todos a alimentos bons, limpos e justos.
Como foi produzido?
Se o alimento foi produzido em agricultura convencional, com o uso de pesticidas e fertilizantes químicos, ou em pecuária intensiva, vai ter seguramente grandes impactos ambientais. Os pesticidas: herbicidas, inseticidas, fungicidas e outros, causam graves danos ao ecossistema, pois matam os organismos essenciais do solo, insetos de várias espécies, inclusivamente polinizadores como as abelhas, poluem o solo, o ar e a água, e entram na cadeia alimentar a vários níveis. Também os fertilizantes químicos de síntese usados na agricultura convencional, as hormonas e medicamentos usados em larga escala na pecuária intensiva acabam por poluir o solo, os lençóis freáticos, as águas dos rios e mesmo os oceanos.
E se o produto for transgénico (ou OGM - organismo geneticamente modificado), ou, no caso de carne, se o animal foi alimentado com produtos transgénicos (o que é a prática corrente)? Nesse caso os impactos no ambiente podem ser enormes – não sabemos – porque não existem estudos para isso, somos todos as cobaias; mas uma coisa já está provada: os cultivos de alimentos OGM ameaçam dramaticamente a biodiversidade, quer pelos efeitos contaminantes da polinização cruzada, que acabam com as variedades alimentares locais e adaptadas, quer porque são produzidos para resistir a herbicidas, o que implica o maior uso dos herbicidas, logo maior contaminação ambiental, quer porque matam insetos e outra fauna essencial e exterminam  plantas que fazem parte dos ecossistemas, alterando os equilíbrios e aumentando a extinção das espécies.
Pelo contrário, quando optamos por comprar produtos oriundos da agricultura biológica, sabemos que foram cumpridas regras de proteção ambiental e de bem estar animal. Na agricultura biológica não são permitidos pesticidas ou herbicidas químicos de síntese, e mesmo os pesticidas naturais só são usados em última instância, pois a saúde do solo e o equilíbrio do ecossistema são a base deste modo de cultivo. E na agricultura e pecuária biológica, não são permitidos, de todo, alimentos ou produtos transgénicos.
Que tipo de alimento é?
Os impactos no ambiente são bem diversificados, consoante a natureza do alimento. Se é carne, só por si, terá um impacto ambiental muito superior ao alimento vegetal. Come-se carne a mais, tanto para a saúde como para o ambiente. Para se produzir um kg de carne de vaca, é necessária uma área enorme de produção do alimento para o animal (soja, milho, …) e são gastos muitos milhares de litros de água para a sua produção. E em muitos casos, como acontece no Brasil, essa área de produção foi subtraída a florestas essenciais ao equilíbrio do planeta, como a Amazónia. A desflorestação é um dos principais fatores do aumento da concentração de CO2 na atmosfera, e a pecuária é um dos maiores fatores de desflorestação.
Com essa mesma área (para a produção de um kg de carne) pode-se produzir muitos kg de alimentos de origem vegetal, e mesmo muito ricos em proteínas, como é o caso das leguminosas. A pegada ecológica alimentar de uma pessoa que costuma comer carne em quase todas as refeições chega a ser 17 vezes superior à de uma pessoa vegetariana; e a pegada de carbono é mais do dobro. Assim, cada vez que optamos for fazer uma refeição vegetariana em detrimento de uma refeição com carne, estamos a ter um impacto muito positivo no ambiente.
No que se refere ao peixe, e sendo Portugal um dos países com maior consumo de peixe per capita, devemos estar muito atentos à sua origem. A sobrepesca de muitas espécies está a levá-las para o caminho da extinção. E a extinção de uma espécie, como por exemplo a sardinha, vai seguramente levar à extinção de muitas outras espécies mais de topo da cadeia alimentar, podendo levar mesmo à morte dos oceanos. Por isso, é muito importante estar informado sobre o consumo sustentável de pescado, para o que recomendo consultar o Guia de bolso para as melhores escolhas de peixes e mariscos em Portugal, e descarregar o Cartão SOS Oceano disponibilizado pelo Oceanário de Lisboa.
Está provado que os vegetarianos têm maior esperança de vida e que a carne em excesso faz mal, mas se gosta de comer carne, saiba que não é preciso ser-se vegetariano para se fazer muitas refeições sem carne ou peixe. É uma questão de se agir de acordo com o que se pensa.
Outros fatores
Para além destes três fatores essenciais: de onde vem, como foi produzido e que tipo de alimento é, os impactos da alimentação no ambiente são também muito superiores quando se trata de alimentos processados, transformados e refrigerados, pelo que é importante comprar os alimentos o mais naturais possíveis; privilegiar o cozinhar em casa, pois para além de contribuir para uma melhor saúde, contribui para um melhor ambiente.
Também muito importante é a maneira como o alimento é apresentado: alimentos excessivamente embalados têm pegadas ecológicas muito maiores, como é óbvio. E se algumas vezes a embalagem se destina a proteger o alimento no transporte, muitas vezes é totalmente desnecessária e reflete uma sociedade de consumo que já nem pensa no básico, no “é mesmo preciso?”.
Será bom não esquecer a minimização do desperdício alimentar. ´Comprar apenas os alimentos necessários – com o uso de uma lista ou planificação das refeições, é uma boa ajuda para reduzir o desperdício; aproveitar as sobras para outras refeições, e encaminhar os resíduos orgânicos para compostagem e produção de composto (fertilizante natural), ajudam a fechar o ciclo e a diminuir a pegada ecológica da alimentação.
Conclusão
O futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer. Deste modo, está na nossa mão ajudar a tornar este mundo melhor através das nossas escolhas alimentares. Ao escolher produtos locais, ao preferir produtos biológicos, ao optar por refeições vegetarianas, ao evitar produtos processados e excessivamente embalados, e ao eliminar o desperdício alimentar, não estamos apenas a cuidar da nossa saúde, estamos também a cuidar da saúde do planeta e das futuras gerações.
Fontes: BCFN ;  Componatura Fantastic Farms FAO Jusbrasil Não no Menu (http://naonomeu.com/2015/07/a-piramide-dupla-1/); Oceanário de Lisboa Slow Food Sustentabilidade é Acção (aqui e aqui).


Texto publicado primeiramente no Jornal Digital  VILA NOVA, em 21/12/2017

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bionergia, só se for sustentável!

Parem com a queima das nossas florestas e dos nossos alimentos para a  produção de energia!

Na próxima semana, o Parlamento Europeu votará sobre a revisão da Diretiva das Energias Renováveis com o objectivo de minimizar a queima de florestas e culturas agroalimentares, como a soja, a colza e o óleo de palma, para a produção de energia.
As grandes empresas de biocombustíveis e a agricultura em larga escala estão empenhados em continuar a destruir florestas e terrenos agrícolas para produzir bioenergia de forma intensiva.

Imagem de BirdLife
Nós precisamos do seu apoio para contrariar este lobby corporativo!

Os deputados do Parlamento Europeu têm agora uma oportunidade única para acabar com esta loucura e encorajar a utilização de fontes de energia verdadeiramente renováveis, como a eólica, a solar e os biocombustíveis produzidos exclusivamente a partir de resíduos. 

Por favor, diga aos Deputados Europeus que o combustível utilizado nos transportes, no aquecimento ou na produção de eletricidade não pode ser produzido a partir da exploração insustentável das nossas florestas e dos nossos alimentos.

Participe nesta iniciativa em  www.stopbadbioenergy.eu